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quarta-feira, 17 de março de 2021

O sotaque do meu "país"

Olá amigos, como vocês estão?
Bom, agora que estou morando aqui no sul e sendo uma profissional de letras, eu não poderia deixar de compartilhar com vocês algumas curiosidades linguísticas sobre o sotaque gaúcho.
Sabemos que o sul é composto por 3 estados: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, este último que é minha residência no momento. Se você topar com qualquer gaúcho na rua, ele baterá no peito com orgulho e dirá que ama o sul. O que muitos de vocês não é que quando um gaúcho se refere ao sul ele está falando especificamente sobre o Rio Grande.
Não vou focar nas variações de vocabulário, pois essas muitos de vocês já devem conhecer, como, por exemplo, a fruta mais famosa da região: a bergamota. Gostaria de enfatizar algumas mudanças que ocorrem nos substantivos.
O que o gaúcho menos gosta é de incomodação!
Não vou negar, a primeira vez que ouvi essa palavra fiquei com uma sensação de estranheza. (Incomodação é sinônimo de incômodo, porém não é tão utilizado em outras regiões do Brasil).
O certo deveria ser incômodo, entretanto aqui no meu "país" é muito comum trocar os sufixos das palavras.
Incômodo passa a ser incomodação, falatório passa para falaçada. Bebedeira pode virar bebeçada.
Sim, eu sei, para nós "estrangeiros" (eu sou capixaba morando no sul), isso pode parecer um tanto quanto bizarro e a gente leva um certo tempo para se acostumar.
Outra curiosidade sobre os gaúchos é que, ao contrário do que muitos podem pensar, a palavra mais falada por eles não é TCHÊ e sim BAH.
De cada dez palavras que um gaúcho fala, onze são BAH.
E é incrível como o bah serve literalmente para tudo e tem variações de entonações e grafia.
Por fim e não menos importante, 95% dos gaúchos falam alto, e quando eu digo alto, eu não estão brincando. Eles possuem uma potência vocal "assustadora"!
E se eu puder deixar um bônus para vocês: o R dos gaúchos (principalmente gaúcho raiz do interior), não vai soar como o R duplo da palavra carro, por exemplo. O R gaúcho 90% das vezes vai ter som do R entre vogais.
Essas são apenas algumas curiosidades constatadas por mim nesse meu primeiro ano pelas bandas de cá. Em breve darei outras excentricidades do gauchês.


sábado, 14 de novembro de 2015

Eu fico com o Brasil!


É lamentável o que aconteceu na França, mas a tragédia ocorrida em Mariana afeta diretamente a minha vida.
Vejo que hoje muitas pessoas mudaram sua foto de perfil, exibindo as cores da bandeira da França, contudo eu me recuso a entrar nessa moda.
Acho que os pedidos de oração por Paris também são válidos, afinal foram seres humanos os atingidos nessa tragédia. Mas e os moradores de Minas Gerais e Espírito Santo?
Eu me pergunto: 
- Você já esteve em Paris?
Eu nunca estive, me sensibilizo ainda assim.
Porém, todos os anos, 4 ou 5 vezes, eu vou a Aimorés. Uma cidadezinha mineira que faz divisa com o Espírito Santo.
A lama que vêm descendo pelo Rio Doce ainda não chegou lá, mas quando chegar, vai afetar diretamente a minha família, pessoas que amo e que quero bem.
Será que é egoísmo meu pensar somente na tragédia que aflige o Brasil neste momento?
Eu já passei por Governador Valadares, já passeei de balsa pelo Rio Doce em Resplendor, e quando estou a caminho de Aimorés, sigo pelo Rio Doce por João Neiva, Colatina, Baixo Guandú.
Sou contra toda forma de violência, seja ela bélica ou não.
Será que a violência cometida ao povo de Minas e Espírito Santo é menor que a cometida na França?
Não houve tiro, nem bomba, nem alarde. Mas a explosão de lama matou a vida de um rio. A biodiversidade morta tem menos valor que as vidas perdidas no ataque francês?
Talvez a minha ignorância não me permita deixar de pensar primeiro nos meus.
Então eu assumo aqui que vou abraçar a causa de Minas e Espírito Santo.
E gostaria que vocês comprassem essa briga comigo.
Mude sua foto de perfil e compartilhe as hashtags #IPrayForBrazil #IPrayForMinas